sexta-feira, agosto 05, 2005

Censura em Festival de Cinema



O Festival de Cinema de Montreal, cedeu à pressão de patrocinadores e baniu a estreia do filme “Karla” de Joel Bender, um filme sobre a serial killer Karla Homolka.

Membros de famílias das vítimas de Homolka, ergueram uma campanha para a censura do respectivo filme e vários patrocinadores do festival também ameaçaram eliminar o patrocínio, caso o filme fosse exibido. O presidente do festival, Serge Losique, havia defendido o filme, apregoando que vários criminosos (desde Hitler ao “Boston Strangler”) haviam sido matéria para múltiplos filmes, mas cedeu às ameaças de meia dúzia de patrocinadores.
Stephen Williams, autor de “Invisible Darkness” proferiu ao jornal “Toronto Globe & Mail”: «Isto é um ultraje. Mr. Losique anunciou o filme com fanfarra, mas não tem coragem para manter e defender as suas convicções».
“Karla” é sobre um casal maléfico e demente. Paul Bernardo e a sua esposa Karla Homolka raptaram, abusaram sexualmente e assassinaram três jovens raparigas. O que torna a história (ainda) mais inquietante é o facto de ser… real.
É alarmante continuarmos a deparar com censuras deste calibre. Impedem o debate público de um perturbador flagelo e censuram a expressão artística.

19 Comments:

Blogger Gustavo H.R. said...

Absurdo.

3:58 da tarde  
Blogger André Batista said...

É realmente muito alarmante casos destes continuarem a acontecer em festivais conceituados como este.

4:02 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Gustavo: É vergonhoso.

André: Também se revela preocupante o facto de haver quem não defenda os seus próprios princípios, como é o caso do presidente deste festival.
Triste e revoltante!

4:20 da tarde  
Blogger Coutinho77 said...

Em pleno século XXI ainda existem mentes destas... Não estou a falar de quem quer fazer a impugnação da obra (que lá têm os seus motivos obscuros) mas sim de quem cede a este tipo de pressão...
Abraço!

6:53 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Exactamente. Convicções manipulavéis revelam personalidade fraca, não?
Abraço!

8:24 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Onde é que vai parar a arte fílmica assim? Será que o cinema vai ficar entravado? É que já está muito infectado malignamente:(

Abraço

Turat Bartoli

http://cine7.blogspot.com

1:52 da manhã  
Blogger Francisco Mendes said...

Alguns pretendem transformar a Sétima Arte, numa substância oca para ser digerida por papalvos.
O que custa é verificar actos cobardes e submissos perante tais tentativas.

8:23 da manhã  
Anonymous S0LO said...

É uma vergonha!

Cumps. cinéfilos

8:25 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Right on s0lo!
Cumps.

8:27 da manhã  
Blogger Miguel Baptista said...

Revela personalidade fraca é pouco... então agora vai-se censurar cinema num festival porque a publicidade ameaça deixar de financiar parte deste? Patrocinadores há muitos e, infelizmente, casos destes também. Enfim, lamentável.
Abraço!

12:23 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

É realmente muito triste.
Abraço!

8:24 da tarde  
Blogger Knoxville said...

"Membros de famílias das vítimas de Homolka, ergueram uma campanha para a censura do respectivo filme"

Caro Francisco, também é preciso ver esta notícia pela perspectiva destas pessoas. Imagina que no filme, as suas "filhas" (se bem que não passam de personagens) são violadas, abusadas e tudo mais à vista de todos, com grandes aparências com as verdadeiras "filhas". Enfim, percebe-se a atitude destas pessoas, secalhar se fosse connosco fariamos o mesmo.

Quanto à decisão do presidente, não vejo qual a admiração. Perdia os patrocinadores, perdia os fundos, para o ano seguinte não havia festival e nos negócios, o dinheiro fala mais alto.

Mas quem mais beneficia com isto é o filme, que às custas desta polémica ficou conhecido e vai ser visto por muito mais gente pela via comercial, certamente. Alguem já tinha ouvido falar deste filme?

O realizador lá se queixa, mas deve estar todo contente.

Um grande abraço colega Katateh, isto das férias afastaram-me um pouco da blogosfera :)

11:28 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Opa. qualquer dia os descendentes de cristo vão pedir parte dos lucros de A PAIXAO DE CRISTO ao Mel Gibson :S

Opa é um Festival de cinema, vendido ao dinheiro :S

Cumps

NeTo - Rollcamera

12:41 da manhã  
Blogger Francisco Mendes said...

Caro Knoxville... e as famílias das vítimas do holocausto e de vários serial-killers que foram retratados (com inúmeras semelhanças) na tela? Também lhes doeu relembrar o sucedido, mas tamanha tragédia nunca deverá ser esquecida.
Deverá ser estudada e profundamente discutida.

Além disso, neste filme em particular, funciona como um directo alerta a pais mais distraídos, relembrando-os que mal pode se esconder em qualquer esquina.

E já agora, não esperava ouvir de ti: «o dinheiro fala mais alto»...
Que é isso??
Infelizmente é normal em algumas personalidades fracas, mas deveríamos VENDER os nossos PRINCÍPIOS?? Desculpa, mas não me identifico com este tipo de debilidade mundial. Até pode ser regra geral, mas não a aprovo, aliás... abomino tais personalidades ténues e frouxas.

Abraço Knox!

8:17 da manhã  
Blogger Francisco Mendes said...

É um presidente vendido!

Cumps.

8:19 da manhã  
Blogger Knoxville said...

Francisco, estás a falar de casos gerais que envolveram muita gente. Imagina agora que faziam um filme sobre o assasinato brutal da tua filha e da filha dum amigo teu, sem te dizerem nada, mostrando todo o tipo de barbaridades e danificando a imagem da tua filha no filme?

Cada caso é um caso, e eu não estou a dizer que o cinema não é uma forma de arte e que não deve ser alvo de censuras, apenas percebo a atitude dessas familias e acho que não as devemos criticar.

Quanto ao dinheiro, claro que todos achamos que não devemos vender os nossos principios etc etc. etc.. Mas se tivesses um festival teu, que sobrevivia ano após ano com dinheiro de patrocinadores e sem esse dinheiro não haveria mais festival nos anos seguintes, acredito que perceberias o que digo.

Não matem o mensageiro :P Estou apenas a mostrar o outro lado. Eu também preferia que não houvesse censuras, vendas ao dinheiro etc etc...

Um abraço a todos!

3:48 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Acredita, se o Festival fosse meu não cederia aos patrocinadores. Existe muito mais peixinho no mar e por vezes encontram-se diversos tubarões.

Quanto à famílias compreendo o sofrimento, mas não serão obrigadas ou forçadas a passar pela tortura do visionamento das imagens.
Existem também muitas famílias que não desaprovam filmes sobre tragédias directas sofridas (no Cinema abundam obras verídicas de homicídios brutais), porque torna-se essencial o alerta.
Reitero o que disse: é urgente debatermos todos os males que assolam o planeta e encará-los. Eles existem e nunca deveremos enfiar a cabeça na areia. Ninguém sairá beneficiado, nem mudará algo se cruzarmos os braços e fizermos de conta que nada se passa (ou passou), fingindo que o mundo é um mar de rosas perfumadinhas. O debate, exposição e oposição de todos os actos malévolos é urgente!

Percebo o teu lado e não arremessarei qualquer pedra nesse sentido... apenas reafirmo a minha convicção!

Grande Abraço!

4:19 da tarde  
Blogger marcinhah_sp4 said...

Eu concordo que um filme desse tipo nao poderia ser exibido.O fato de mostrar tudo, detalhe por detalhe,como aconteceu os estupros as jovens garotas...É muito triste,os pais vendo tudo aquilo,já bastaram as fitas com a mortes.É um sofrimento terrivel para os pais.Sei que já fizeram filmes com outros "psicopatas", mas nesse caso estao mostrando as vitimas,o que deve ter mais respeito e moderaçao e nesse filme nao tem nada de moderado.
Abraços..

11:28 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

É uma questão deveras sensível.

8:16 da manhã  

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