quinta-feira, outubro 19, 2006

Bolos, microfones e perucas



«Isto é uma comédia?», questionavam (numa mescla de ignorância e ironia) alguns dos presentes na ante-estreia de “Marie Antoinette” de Sofia Coppola. A sério? E eu que julgava ter acabado de assistir ao vídeo da nova colecção de sapatos Prada, com uma amostra bónus das recentes confecções dulcificadas de um grande Chefe Cozinheiro…
Desligando o modo irónico, convém esclarecer o riso do público. Surgir um microfone empoleirado no fotograma de um filme é algo comum (infelizmente), mas em nada retira a experiência do visionamento, tal a discrição com que alguns assomam a tela. Contudo, na projecção do filme de Coppola, a partir do diálogo entre Louis XVI (Jason Schwartzman) e Joseph (um subaproveitado Danny Huston, depois do brilhante desempenho em “The Proposition”) com um elefante em pano de fundo, os microfones emergem na tela com a exacta proporção na qual um ataque de acne se apodera da face de um jovem em plena puberdade. Escusado será relatar as gargalhadas histéricas. Confesso apenas ter chegado a temer que um dos vários tipos de microfone se emaranhasse nas perucas da pobre Dunst.

29 Comments:

Blogger P.R said...

Olá Francisco tudo bem?
Mas então... que achaste do filme?

Abraço

9:47 da manhã  
Blogger Francisco Mendes said...

Viva Pedro. Por aqui está tudo bem.

Como deves imaginar, a algazarra da sala não permitiu muito discernimento, mas confesso que o factor da chacota também me torturou o juízo, pois adoro esquadrinhar uma imagem. É uma obra que irá dividir opiniões. Necessito de revisionamento para ponderar melhor e depois depositar aqui a minha apreciação, mas Coppola consegue fazer bem melhor.

Não me alongo mais sobre o quão fraco são alguns aspectos do filme, pois respeito imenso alguns cinéfilos que a admiram.

Abraço!

10:24 da manhã  
Blogger RPM said...

olá camarada amigo!

gostei da cor deste fotograma...

um tom flamingo....

feliz dia e um abraço

RPM

10:32 da manhã  
Blogger Francisco Mendes said...

Quando necessitar de decorar o quarto da minha filhota, ligo à senhora Coppola.

Abraço amigo!

10:39 da manhã  
Blogger wasted blues said...

Parece que rosa é tabu por estas paragens...

Tive a sorte de não ter qualquer microfone no visionamento. Quanto ao filme, é verdade, a Sofia já nos deu melhor, mas o filme não é tão mau como o pintam!

3:05 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Pelo contrário... ADORO o rosa! Que o confirme a minha Ninfa.

Coppola pode perceber muito sobre sapatos, vestidos e cosmética, mas não consegue trabalhar as personagens do seu filme com complexidade dramática. A árida Dunst desfila como se de uma modelo se tratasse, com caretas risonhas, embriagadas, tristonhas e repito: ter um actor com o calibre de Huston e desaproveitá-lo como mero elemento caricatural à base de cameos, é de uma barbaridade atroz.

O filme desdobra em tom de diário de uma punk-rock-chick. É muito bom ouvir o intro da "Plainsong" dos The Cure, bem como faixas de The Strokes, The Radio Dept. ou Windsor for the Derby, mas a sua inclusão é tão imprecisa que a única coisa que se salienta nesta superficialidade são os múltiplos e reles cortes, que realçam o facto da película ser um mero portfolio extravagante, com música de fundo para adornar a passerelle.

Continuação de boas melhoras.

3:35 da tarde  
Blogger Pedro_Ginja said...

Então mas afinal os microfones estavam na sala ou apareciam no filme?

Não se percebe muito bem.
Só sei que se era no próprio filme é um erro imperdoável. Principalmente num filme com este orçamento.

EU também vou espreitar mas estou com muitas dúvidas se vou gostar.
O trailer achei muito fraquinho. Vamos ver...

3:46 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Na ante-estreia da noite passada em Gondomar (Parque Nascente) os microfones despontaram pela tela como rosas a desabrochar (no próprio filme). Basta confirmar junto de alguém que também marcou presença na referida projecção.

Agora... é certo e sabido a existência de várias cópias. E pelos vistos, a Wasted teve a felicidade de visionar uma limpa.

Também irei rever o filme, mas a primeira impressão é bem negativa.

4:19 da tarde  
Blogger wasted blues said...

Para quem não sabe, as cópias são todas exactamente as mesmas! O que há é bons e maus projeccionistas ;)

4:52 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Oh Wasted... nem me deixas amenizar com ironia o sucedido. ;)

Eu nunca fui muito à bola com essa dos projeccionistas (apesar de ser um facto). Digam o que disserem, para mim existem é bons e maus enquadramentos.

5:07 da tarde  
Blogger wasted blues said...

Por mais que queiras (ou não) é mesmo uma questão de projecções e não de enquadramentos ;)

5:15 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Agora sem ironia:

A noção de enquadramento é basicamente isto: o realizador compõe um retrato, escolhendo a imagem a exibir e seleccionando igualmente tudo o que não deseja mostrar. Como diz o provérbio: Escolher é excluir. O cineasta mune-se com uma janela e selecciona a realidade fílmica a ser projectada. O projeccionista deve obedecer às ordens do cineasta e ocultar palas de câmara, microfones (e outros artefactos) e infelizmente existem salas medíocres que nem uma janela de projecção adequada possuem.

Mas como deves imaginar, ocasionalmente, existem erros nas filmagens que fazem com que um microfone apareça em campo durante uns breves segundos. Tal não está relacionado com um mau projeccionista, pois de facto, no enquadramento escolhido pelo realizador, não foi possível repetir a cena. São situações esporádicas, mas existem. E algumas das cenas deste filme deixaram-me a torcer o nariz quanto ao erro... apesar de também achar que um bom projeccionista deva tentar sonegar possíveis erros de enquadramento do realizador. Vá lá... tiveste um assim. Espero que os restantes espectadores também.

Mas repito o que digo no post (caso hajam dúvidas): não são microfones ou erros de raccord que influenciam a minha opinião sobre um filme.

6:05 da tarde  
Blogger 180min said...

francisco, realmente havia microfones para todos os gostos.... até me distraí do filme à espera de quando aparecia o próximo.

10:10 da tarde  
Blogger Yu Ji-Tae said...

A Wasted Blues tem razão e deixo já aqui um exemplo flagrante e sobretudo trágico:
Vi duas vezes no cinema "Lady in the Water" do Shyamalan e duas vezes no Alvalaxia em Lisboa. A primeira foi na sala 2 e a primeira hora do filme foram constantemente microfones a aparecer na imagem, fiquei parvo, não queria acreditar.
A segunda vez, o filme tinha mudado de sala (já nã me lembro qual) e não apareceu um único microfone durante o filme todo!
Portanto, os incompetentes do Alvalaxia é que são o problema e não o grande Shyamalan que não deixa dúvidas sobre o seu talento formal.
Vi hoje o "Marie Antoinette" também no Alvalaxia e na famosa sala 2. Claro que apareram várias vezes microfones. Como já tinha visto o filme em Junho passado em Paris quando estava de férias, posso dizer que não havia nenhum microfone à vista durante o filme todo. Conclusão, o problema é mesmo os projeccionistas porque as cópias são efectivamente as mesmas!

10:59 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Hum...olha que o filme é bom.

1:08 da manhã  
Blogger Francisco Mendes said...

180min: Tivemos um mau projeccionista. Se calhar o homem pensava que o filme era mesmo uma comédia e que os microfones eram propositados... ;)

Yu Ji-Tae: Sim, tal como também referi num comentário: infelizmente existem salas medíocres que nem uma janela de projecção adequada possuem.

A certa altura houveram pessoas na sala a perguntar («os microfones são intencionais?»). Nessa altura fui acedido por um laivo de cólera e desejei ter gritado: Acham mesmo que isto é propositado? Eu não vejo nenhum microfone verde-alface, azul-celeste ou rosa-bebé! (Pronto... lá estou eu a ser irónico...)

Hugo: Qual? O "The Virgin Suicides"? Sem dúvida!

9:24 da manhã  
Blogger wasted blues said...

Tens de trabalhar melhor a ironia :P

E microfones, volto a dizer, nada têm a ver com enquadramentos do realizador.

Também vi o "Goodbye Lenin" no defunto Mundial com microfones, depois voltei a vê-lo sem nenhum noutra sala.

1:40 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Quer queiras, quer não existem erros e ocasionalmente, existem falhas de enquadramento, bem como inúmeros erros de raccord.

Ossos do ofício... neste caso... microfones do ofício.

Mas neste caso, a sala parece ter sido realmente a culpada. Pessoalmente, até considero que foi benéfico terem aparecido microfones. Foi uma boa forma para espevitar a audiência, tal é a letargia que a Sofia provoca neste filme. :P

2:18 da tarde  
Blogger H. said...

Estou a ter uma série dificuldade em comentar este texto, deve ser castigo por discordar de ti - quer dizer, embora ñ te expresses abertamente sobre o conteúdo do filme depreendo por aí um tom um pouco jocoso quanto ao mesmo (ou será só em relação às falhas técnicas?)...
Achei que era um filme de Sofia Coppola. Parece idiota esta afirmação, mas o que quero dizer é que a sua visão está lá, como estava nas duas longas metragens que todos conhecemos.
Desta feita a acção é numa época que pouco parece ter em comum com a nossa, mas parece-me que isto não é de todo um filme histórico, ou pelo menos é-o apenas aparentemente.
Aparência é aliás uma boa palavra para falar do filme. Por baixo de tanta aparência de luxo e de deboche está um retrato triste da adolescência. Um poema sem tempo acerca da juventude e da luta pela adaptação, e pelos inevitáveis falhanços dessa luta.
Aquele olhar que a Maria Antonieta dá a Luís XVI no jantar final, quando a Revolução já lhes bate à porta, é uma capitulação que não necessita de palavras. Não é política, de todo. É humanidade...

9:33 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Qual dificuldade, qual quê? Expressas muito bem o que sentes sobre o filme. Aliás, quem me dera sentir um terço do que sentiste no seu visionamento. Mas para mim, isto não passa de um filme de moda de uma realizadora da moda. "The Virgin Suicides" é uma obra imensa, mas este último filme apenas revela preguiça por Cinema. Sim... é o que penso. Ela limita-se a disparar imagens arbitrárias (mera fotografia caprichosa), utilizando marionetas ocas em vez de personagens densas e desprezando o calibre de actores (como Huston) remetendo-os para meros objectos a serem incluídos no portfolio de punk-rock-chick.

Não gostei Helena. Que queres? O filme não me convence. Mas na próxima semana irei revê-lo e só então farei uma análise ao mesmo.

Quanto a erros técnicos... não me interessam, pois existem em todos os filmes.

Já agora... bela crítica, a tua. Não partilho da tua opinião, mas fico sempre agradado com a tua redacção e é sempre bom quando alguém sai feliz da sala de Cinema.

10:19 da tarde  
Blogger Hugo Alves said...

Erros de raccord? Talvez. Mas a perfeição do raccord às vezes é desnecessária. Exemplo: Bergman dá-nos abundantes exemplos. Veja-se o Sasom en Spegel... Francisco, acho que estás a roçar o mau feitio desta vez :P

11:21 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Também acho desnecessária a perfeição do raccord, como podes constatar nos meus comentários acima colocados, mas que existem... oh se existem.

E caro Hugo, mau feitio temos todos quando visionamos um filme que abominámos e que roubou minutos preciosos da nossa vida. É um facto incontornável para quem encara a Sétima Arte como uma amada!

Mas atenção... convém colocar os pontos nos i's: por ti, não tenho mau feitio. Tenho profundo respeito.

Cumprimentos.

9:08 da manhã  
Blogger brain-mixer said...

Microfones? Enquadramentos? Esperem pelo DVD e depois aí sim: Se os micros persistirem, culpem a Sofia! Culpem o Director de Fotografia! Culpem estes desgraçados!! :P

11:49 da manhã  
Blogger Francisco Mendes said...

Agora a sério. A culpa é mesmo do projeccionista.
Mas mesmo que não fosse, os eventuais erros desapareciam na edição em DVD.

1:20 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Li este post e comentários antes de ver o filme, por isso ontem na sala de cinema do Dolce Vita Porto estava com atenção redobrada aos microfones... realmente a dada altura aparecem tantas vezes, que comecei a pensar se não seria propositado! Porém, apercebi-me que em diversas cenas se vêem barras pretas no topo do ecrã - a mais notória é a cena de Marie Antoinette no jardim imediatamente a seguir à partida do Conde Felsen - o que me convenceu que o problema era do enquadramento feito pelo projeccionista!

2:32 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Essas barras pretas são as palas da câmara.
Mas sim... também estou convencido que há uma vasta legião de maus projeccionistas em Portugal.

8:57 da manhã  
Blogger Pedro_Ginja said...

Ou sou eu que estou a dormir ou então nunca vi um microfone num enquadramente numa sala de cinema. Onde me lembro de ver microfones era no gato fedorento nas primeiras séries mas isso era propositado.

Se querem opiniões, vão ao Monumental. Eu pelo menos nunca la vi um microfone na tela de cinema. E no Colombo também não.

Cada vez dou mais graças pelo Monumental.
Depois disto acho que vou é arriscar no "Transe" da Teresa Villaverde. A Sofia fica para depois.

10:31 da manhã  
Blogger Hugo Alves said...

:-)

11:09 da manhã  
Blogger Francisco Mendes said...

Pedro: Digamos que mesmo que desejasse ir ao Monumental, este se encontrava a uns belos quilómetros de distância...

Hugo: ;-)

11:14 da manhã  

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