quinta-feira, novembro 03, 2005

“Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit”, de Nick Park e Steve Box

Class.:



O longo voo da Fénix da animação

O Universo de “Wallace & Gromit” teve o seu Big Bang em três curtas-metragens de Nick Park e companhia, todas nomeadas para Oscares e duas recebendo o respectivo galardão (“The Wrong Trousers” e “A Close Shave”). Posteriormente, foi gerada uma série de TV para o Reino Unido e após cinco anos de atarefada produção, surge a sua longa-metragem, “Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit”.

Wallace é o aluado inventor viciado em queijo, Gromit (na linha de Brain, o cão do Inspector Gadget), é o leal e silencioso companheiro de Wallace, sempre disposto a desenrascá-lo de alguma encrenca. Gromit é uma obra-mestra da animação em particular e da comédia em geral. A diligência dos animadores para gerar intrincadas emoções numa face canina de plasticina, merece todas as alvíssaras do meio cinematográfico. O expressivo e meticuloso trabalho empregue nas gesticulações é inaudito. Em “The Curse of the Were-Rabbit”, Wallace e Gromit dirigem a Anti-Pesto, uma empresa responsável pela segurança das hortas de uma cidade obcecada por jardinagem e são chamados a intervir, quando uma enorme ameaça devoradora de vegetais paira sobre o burgo, aterrorizando os aspirantes ao prémio final da Competição Anual de Vegetais Gigantes.

Em 2000, “Chicken Run” havia sido inspirado em “The Great Escape” de John Sturges, com “The Curse of the Were-Rabbit” Park diverte-se homenageando uma amálgama de clássicos filmes de monstros (“The Wolf Man”, “Frankenstein”). Não são como as meras pândegas regurgitadas por outros filmes do género, tratam-se de paródias apropriadas. Existe uma deliciosa referência musical ao fabuloso “Watership Down” de Martin Rosen, mas o mais evidente e peculiar tributo remonta a “King Kong” (1933), tendo em conta que ambos utilizaram idêntico processo de animação e afinal de contas, Kong é o Santo Padroeiro da Animação Stop-Motion.



O tom, apesar de mais sombrio que a usual animação americana, ajusta-se perfeitamente a um visionamento familiar. É uma animação pouco infantil, mas existem delícias para miúdos e excentricidades para graúdos. O facto da Lady Campanula Tottington se assemelhar a uma cenoura, com o seu cabelo laranja disposto numa configuração impossível, é uma das inúmeras piadas visuais. O filme brilha intensamente mantendo-se fiel às suas origens, graças ao fabuloso departamento de animação. A Aardman Animation não aceita a morte da animação tradicional. São delicados na animação Stop-Motion, injectando carinho na modelação das suas amadas figuras. A dedicação e enternecimento pelas suas criações são tais, que impressões digitais foram deliberadamente abandonadas nas personagens. É a distinta assinatura de Park e da sua Aardman Animation. Existem determinadas cenas que recorrem ao CGI, mas a sua utilização é estratégica.

“The Curse of the Were-Rabbit” lida com espasmos arcanos, entusiasmantes sequências de acção e gags inspirados. Acima de tudo, os criadores mantiveram a inteligência e sensibilidade fomentada nas peripécias predecessoras de “Wallace & Gromit”. São 85 minutos aureolados, com personagens animadas bem superiores a inúmeros actores de carne e osso. Como filme de aventuras, a parte final reserva uma esplendorosa sequência de acção, onde lobrigamos que não se trata “apenas” de uma brilhante animação, mas também de uma magnífica realização. Park bem pode aguardar uma nova nomeação para os Oscares, o que não deixa de ser bastante impressionante, tendo em conta que praticamente todos os seus trabalhos fazem parte das corridas para a obtenção da estatueta dourada. Aguardemos que o recente incêndio que assolou a Aardman Animation, não esmoreça o brilhante trabalho que sempre desenvolveram e qual Fénix da Animação, renasçam literalmente das cinzas e continuem a transportar e dignificar o enorme peso da animação tradicional. “The Curse of the Were-Rabbit” é tão divertido que não necessitarão de dizer «cheese», para um sorriso se estampar no vosso rosto.

16 Comments:

Blogger membio said...

pela tua crítica já estou a planear o dia para o ir ver :)

1:50 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

É um filme imperdível... vale bem a pena!

2:23 da tarde  
Anonymous S0LO said...

Gostei de ler a crítica :). Pode ser que ainda o veja em cinema. Se me escapar agora, fica para DVD.

Abraço

4:21 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Se tiveres disponibilidade, aproveita-o no Cinema. Não atinge o nível das curtas, mas é de altíssima qualidade.

Abraço!

5:32 da tarde  
Anonymous astropastor said...

Tenho mesmo de o ver. Adorei o Chicken Run e o principio da animação tradicional com plasticina.

2:42 da manhã  
Blogger Francisco Mendes said...

Também adorei "Chicken Run", mas a Curta de Wallace & Gromit, intitulada "The Wrong Trousers" é a minha preferida. O pormenor do pinguim disfarçado de galinha é genialmente hilariante.

10:57 da manhã  
Anonymous André Batista said...

o melhor filme de animação do ano até ao momento :) Cumps

1:52 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Concordo. :)

2:23 da tarde  
Blogger A.C. said...

Fiquei curioso em relação ao filme.


Parabéns pelo excelente blog.

Gostaria de trocar umas palavras contigo, tenho uma sugestão/convite a fazer-te, mas não encontro o teu mail. Será que podes escrever-me para acinto@gmail.com?

Obrigado.

3:37 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Muito Obrigado pela visita. O filme é muitíssimo bom e aproveita para tentar apanhar as curtas desta dupla. São fenomenais!

Quanto ao meu mail, encontra-se no sector Profile: mendes.fr@gmail.com
Para qualquer questão, podes contactar-me sem problemas.

Cumprimentos.

4:14 da tarde  
Blogger Spaceboy said...

As curtas já faziam prever um grande filme...

1:08 da manhã  
Blogger Francisco Mendes said...

As curtas e a longa "Chicken Run". Fenomenais!

9:49 da manhã  
Anonymous Pedro Ginja said...

Só não concordo com uma coisa que dizes na tua crítica...

Irá ter uma nomeação???

O óscar já está no papo...
Este ano não há Pixar e Myazaki fez um filme bom (mas menor).

3:46 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Em comparação com a bela obra de Miyasaki, prefiro esta relíquia de Park... mas ainda falta estrear "Corpse Bride" de Tim Burton...

4:13 da tarde  
Blogger H. said...

vi hoje e gostei imenso! uma lufada de originalidade e ternura, com essas referências cinematográfias que referiste a fazer-nos vibrar ainda mais!
e claro, a curta-metragem dos pinguins do Madagáscar que antecede o filme é do melhor :p

8:43 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

A curta dos Pinguins é um autêntico delírio! :)

7:56 da manhã  

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