sábado, maio 28, 2005

“The Nightmare Before Christmas”, de Tim Burton

Class.:


“There's children throwing snowballs / instead of throwing heads / they're busy building toys / and absolutely no one's dead!” (Jack Skellington)

“The Nightmare Before Christmas” é a primeira longa-metragem de animação musical filmada em “stop-motion” ou “Stop-Action Animation”. As criaturas ganham vida neste filme através da perfeita simbiose entre a imaginação visual e conceptual de Tim Burton e a imaginação musical de Danny Elfman.

Jack Skellington é o “Pumpkin King” da cidade de Halloween. Todos os anos presenteia a população grotesca da cidade com a sua deliciosa aptidão para pregar sustos. Ele fica saturado pela rotina anual e propõe-se a engendrar algo diferente, que vem a encontrar na cidade do Natal. As luzes e alegria patentes na cidade “Christmas”, incendiaram a ténue luz que abarcava a cabeça de Jack. Enquanto Jack representa o cérebro, Sally representa a alma da película. Ela é a criação de um cientista louco, uma boneca de trapos e enquanto Jack simboliza paixão na ávida busca por algo novo, Sally é o coração, a única que pressente o desastre. As restantes personagens do filme são imensamente divertidas e adoráveis, desde o Santa Claus até ao Oogie Boogie, passando pelo memorável trio traquina de crianças sem éticas ou morais: Lock, Shock and Barrel (Danny Elfman). E mais não digo relativamente ao plot do filme pois este deve ser descoberto individualmente com o visionamento do filme.

O filme tem vários elementos de cariz musical, humor, fantasia, excepcionais efeitos especiais, entretenimento e imaginação infantil. Tudo hábil e delicadamente manejado, proporcionando uma encantadora fábula com uma ambiência fascinantemente negra e sombria. A obscuridade de “Halloween” é aprazivelmente contrastada pela cativante “Christmas”. Tudo brotado da aluada e delirante mente de Tim Burton, o filme é uma consistente mistura de visuais loucos, músicas, sons e uma criativa história que provocaram a rendição de muitos espíritos. A imaginação deste génio pasma e deleita.



O filme é atribuído a Burton pois a história pertence-lhe, é produto da sua mente e ele supervisionou a filmagem. No entanto o realizador é Henry Selick, um mestre na filmagem “Stop-Motion”, e o seu contributo deve ser enaltecido. A música a cargo do excepcional Danny Elfman (que entre múltiplas, diversas e geniais obras, criou o tema de abertura da minha série preferida: “The Simpsons”) é subtilmente sombria e jocosamente luminosa nos momentos garridos. De referir ainda que Elfman interpreta Jack quando este canta.

Tim Burton é um dos meus autores preferidos. Venero praticamente toda a sua obra, desde o desvairado “Beetlejuice” (1988), passando pela melhor adaptação de banda desenhada (na minha opinião) “Batman” (1989), pelo memorável e venerável “Edward Scissorhands” (1990), pelo arguto “Ed Wood” (1994), pelo esplêndido “Mars Attacks!” (1996), pelo sensível e afável “Big Fish” (2003) e ainda pelo minuciosamente belo e gracioso “Sleepy Hollow” (1999). “The Imaginator” expõe nesta obra toda a sua idoneidade criativa. Ele foi criando este mundo na sua cabeça durante 10 anos, enquanto divagava empregado como animador tradicional num projecto da Disney. Este filme é tão esmagadoramente aprimorado, que deve ser revisitado inúmeras vezes. Como primeiro visionamento devemos absorver a história, nos restantes visionamentos devemos observar e apreender todos os pormenores, escalpelizando todos os cantos do ecrã e arrecadando várias surpresas visuais presentes em ossos, roupas, crânios e adornos da cidade.

Após inicialmente ficar pasmado pelas normas das bizarras personagens, rapidamente fui envolvido pelo seu encantamento. A história casa na perfeição com a animação e a música e desta forma as personagens ganham vida própria. O assustador gera momentos sadios e tal como em “The Adam’s Family” o ambiente “freak”, sinistro e sombrio também representa amor incondicional. Fiquei para sempre sob o feitiço desta Obra-Prima, apaixonado pela melifluidade que jorra do filme.

2 Comments:

Blogger H. said...

vi-o há pouco tempo, e fiquei extasiada.
sou uma fã do Burton, acho q dos q citaste só ñ vi o Ed Wood.
o seu universo de inadaptados inocentes sempre me apaixonou.
vi hoje «Corpse Bride» no cinema e embora me tenha maravilhado ñ m encheu tnt as medidas cm este... este é uma obra-prima. e pronto! :)

11:29 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

"Ed Wood" é uma das suas obras superioras, de um extenso rol de preciosidades. Tenta visioná-lo, é maravilhoso. Este "The Nightmare Before Christmas" é intemporal, um dos filmes da minha vida.

1:00 da tarde  

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