terça-feira, maio 31, 2005

“Maria Full of Grace”, de Joshua Marston

Class.:


"Based on 1000 true stories"

A história da construção deste filme é admirável. Foi filmado com um orçamento “indie” pelo realizador e argumentista Joshua Marston, que encontrou a magnífica actriz Catalina Moreno numa audição e usou actores colombianos amadores (pessoas comuns com empregos noutras áreas) para certos papéis do filme, que ajudaram sobremaneira a alimentar o seu estilo realístico.

Maria de 17 anos vive numa casa pequena na Colômbia. É jovem e bela, com um fogo que alumia a sua entidade e quando descobre a sua gravidez não fica nada surpreendida com a reacção do seu infrutuoso namorado Juan. Enfastiada pela monotonia da vila decide trilhar um destino melhor para a sua vida. Ela despede-se do seu emprego e ruma cheia de sonhos para Bogotá com um homem que a convence a fazer bom dinheiro como “mula” (Transportando doses de cocaína no seu estômago até Nova Iorque).

Maria (Catalina Sandino Moreno) vê-se assim explorada pelo mundo da droga, levando consigo a sua melhor amiga Blanca (Yenny Paola Vega) e ambas recebem conselhos de Lucy (Giulied Lopez). Ela e Lucy escapam na alfândega apesar de suspeitarem delas, pois como estão grávidas não lhes podem passar a Raio-X.

A interpretação de Catalina Sandino Moreno é sublime. É uma carismática actriz que arrecada a nossa simpatia através da inocência e medo que irradia na sua face. Através do seu olhar exibe uma subtil tristeza cravada no âmago espiritual da sua personagem.



Este é um filme sobre droga sem as habituais metralhadoras e perseguições alucinantes, sem aquelas estrelas célebres e efeitos visuais estonteantes. Ele foca-se no lado humano deste tema. É um filme que aceita e percebe a pobreza sem entrar numa de romantizar ou adornar o assunto. E realmente mostra-nos que o mal também surge por culpa de organizações, neste caso sistemas económicos. A película não simplifica o mal como em Hollywood ele nos é patenteado, sob a forma de um indivíduo aterrador (e não uma instituição) que apenas necessita de ser morto para tudo ficar a chapinhar num mar de rosas. “Maria Full Of Grace” é soberbo por múltiplas e diversas razões, inclusive pelo seu controverso título e cartaz. É um perspicaz murro no estômago das pessoas que têm o prazer de o contemplar. Cria no espectador uma claustrofobia e tensão brutal, especialmente quando visionamos o acto de ingestão das doses e nos apercebemos que se os frágeis receptáculos rebentarem o seu portador morre imediatamente de overdose. O filme expele vida autêntica em todas as suas vertentes, numa atmosfera verosímil mostra-nos motivos e resoluções reais de personagens plausíveis.

4 Comments:

Blogger André Batista said...

adorei a critica

3:51 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Obg... mais uma vez... :)

4:04 da tarde  
Blogger H. said...

ñ vi ainda embora conheça +- a história do filme... é um dos próximos a alugar!

8:59 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Não te arrependerás. É um dos melhores do ano!

9:04 da tarde  

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