terça-feira, outubro 09, 2007

Ikiru



No final de “Ikiru”, o apoiante de Watanabe luta momentaneamente com a sua consciência, até ceder, submergindo numa enxurrada de papéis. Quantos seres humanos vivem completamente imersos na evolução das suas carreiras, desmazelando a evolução da própria Vida? Quando a lógica quotidiana se instala e drena grande porção da nossa energia inata, a maioria das almas arde para todo o sempre. Viver é sublimar a existência com litígios diários pela transcendência do corpo, pela genuína satisfação da mente e pela exploração das sensibilidades que elos emocionais nos poderão transmitir. Akira Kurosawa sempre demonstrou virtuosidade em lidar questões humanas com imaculada percepção e experimentar seus filmes é como marcar presença em aulas profícuas de arte narrativa. É um regalo cinéfilo vê-lo questionar o significado existencial de um punhado de personagens, trabalhando suas nuances com sofisticada probidade. Kurosawa transcendeu quaisquer diferenças culturais entre o oriente e o ocidente para legar ao universo da Sétima Arte uma dissertação majestosa sobre temas universais como a Vida, a Morte e a mesquinhez do poder. Intemporal… pungente… Humano!

3 Comments:

Blogger meldevespas said...

A minha experiencia com o o Kurosawa, restringe-se ao épico incontornável e apixonante Ran, portanto, muito postrior a este que falas, mas sim, transpira a mesma forma de tratar a alma humana, que não tem cor, ou raça, ou bussúla.

9:54 da manhã  
Anonymous tf10 said...

A nossa fatal condição de só dar valor às coisas quando as perdemos ou estamos em vias disso...sempre assim foi e sempre assim será! Uma obra tocante no conteúdo e brilhante na sua construção narrativa! Não sendo "o" meu Kurosawa favorito, está sem dúvida entre os favoritos!
E quando falo em Ikiru faço sempre questão de fazer uma vénia ao grandioso Shimura!

Abraço!

3:08 da tarde  
Blogger Francisco Mendes said...

Mel de Vespas: É um cineasta obrigatório, criador de obras que iluminam nossa alma cinéfila.

tf10: Shimura, num desempenho memorável que emana uma tremenda intensidade sob aquela camada de apatia física. Magnífico, sem dúvida.

8:21 da manhã  

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