sexta-feira, setembro 30, 2005

Top 5: Cenas na Casa de Banho

5
“Jurassic Park”, de Steven Spielberg (1993)

4
“Trainspotting”, de Danny Boyle (1996)

3
“The Shining”, de Stanley Kubrick (1980)

2
“Full Metal Jacket”, de Stanley Kubrick (1987)

1
“Psycho”, de Alfred Hitchcock (1960)

quinta-feira, setembro 29, 2005

O DVD do episódio de Tarantino para "CSI"



A Momentum Pictures anunciou o lançamento do DVD “CSI: Grave Danger” em Região 2 no Reino Unido a 10 de Outubro.
Quentin Tarantino escreveu e realizou este último episódio da quinta temporada da famosa série de investigação forense. O capítulo no qual o investigador Nick Stokes é enterrado vivo, evoca a sequência memorável de “Kill Bill: Vol. 2”, na qual acompanhamos a Noiva sendo sepultada viva. O DVD terá 84 minutos de Extras, incluindo os primeiros episódios de “CSI” e “CSI Miami”.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Confissões de uma loira



Andava Sam Raimi a encobrir minuciosamente o enredo e respectivos vilões para “Spider-Man 3”, até que a actriz Kirsten Dunst fez questão de dissipar parte da bruma.

Este fim-de-semana, durante uma entrevista relativa à promoção de “Elizabethtown” de Cameron Crowe, Dunst revelou o nome dos actores e vilões no terceiro filme do Aranhiço. Os actores serão Thomas Haden Church (“Sideways”) e Topher Grace (“In Good Company”), enquanto os vilões serão Venom e Sandman.
O mistério dos vilões foi desfeito, mas a distribuição de papéis permanece enigmática, pois Kirsten Dunst meteu os pés pelas mãos enquanto acrescentava: «Talvez não fosse suposto ter dito isto.»

Será que isto significa que Dunst é mesmo loira natural? Pobre Sam Raimi! Enfim... O filme inicia as filmagens em Janeiro e tem estreia prevista para 4 de Maio de 2007.

terça-feira, setembro 27, 2005

O ressuscitar de "Evil Dead"?



O irmão de Sam Raimi, Ted (o homem que pergunta a Ash no final de “Army of Darkness” se ele pronunciou as palavras correctas para voltar ao presente), proferiu palavras que adensam (ou então não…) o mistério em torno das cogitações sobre uma nova incursão no universo “Evil Dead”. Existiam rumores acerca dos planos de Sam Raimi sobre um remake da Obra-Prima da década de 80 e ainda uma quarta investida de baixo orçamento na série “Evil Dead”, mas Ted afirmou que apesar de existir a possibilidade de um novo filme, até ao momento nada se encontra em andamento.
A fabulosa Trilogia de Horror, “Evil Dead”, teve início em 1981 com “The Evil Dead”, continuou em 1987 com “Evil Dead 2” e findou em 1993 com “Army of Darkness”. O realizador Sam Raimi e o actor Bruce Campbell (Ash, Evil-Ash e até Mini-Ash) já mostraram disponibilidade para um novo filme, mas nenhum estúdio de Hollywood lhes quer financiar o intento.
Sinceramente não aprecio muito remakes, ainda para mais sendo “The Evil Dead” uma obra que idolatro. Mas existem cineastas que protagonizam milagres e o próprio “Evil Dead 2” (que para mim é uma das melhores sequelas de sempre) funciona nos minutos iniciais como uma espécie de remake do original de 1981. Em relação a um novo episódio, isso seria como encontrar um belo naco de carne a rever sangue, para saciar o meu apetite voraz. Nenhum dos filmes da trilogia me desiludiu (nem o terceiro filme) e venero o final que Raimi projectou para “Army of Darkness” e que a produtora negou.
Como diria o grandioso Bruce Campbell: «Sentem-se e aguardem, seus doentes por sangue!».

segunda-feira, setembro 26, 2005

Momento Zen

sábado, setembro 24, 2005

“Psycho”, de Alfred Hitchcock

Class.:

“My mother... uh... what is the phrase? She isn’t quite herself today.” (Norman Bates)
Dissecar “Psycho” sem desvendar um pouco a sua história é extremamente complicado, mas serei o mais comedido possível, apesar do comum espectador estar familiarizado com a película.
O desígnio primordial de Alfred Hitchcock era criar um filme para audiências, mas “Psycho” foi muito além desse objectivo, pois inspirou (e continua a inspirar) realizadores, escritores, compositores, actores, directores de fotografia, editores, numa lista infindável de responsáveis pela Sétima Arte. Tudo resulta no filme, numa perfeita simbiose de esforços. O repertório de Hitchcock engloba obras geniais (“Rear Window”, “Vertigo”, “Rope”, “Notorious”, “Suspicion”, “Rebecca”, “Sabotage”), mas “Psycho” é a minha predilecta. O filme nada perde após múltiplos visionamentos, o que por si só representa uma extraordinária proeza para uma peça experimental. Foi estudado, dissecado e o seu legado é indelével.
“Psycho” segue inicialmente a secretária Marion Crane (Janet Leigh), que se apodera de uma considerável quantia monetária, cujo patrão lhe confiou para depositar no banco. Ela inicia uma fuga paranóica e aqui a firme mão de Hitchcock apodera-se do volante: os inquietantes óculos escuros do polícia representam ameaça, a chuva torrencial simboliza o quão incerto e toldado é o seu futuro. Subitamente ela aporta no Motel Bates, e encontra-se perante o gerente Norman Bates (Anthony Perkins), que a desarma com um sorriso afável e sanduíches. A partir daqui, descubram e contemplem individualmente esta Obra-Prima.
Na altura do seu lançamento, o filme foi considerado lixo pela crítica. Com “Psycho”, Hitchcock quebrou taboos cinematográficos, afrontando a censura. A intensidade do seu alcance contundiu a psique de audiências inteiras, irrompendo numa vaga de fobias por duches e estadias em móteis.

Anthony Perkins ofertou uma memorável interpretação à Sétima Arte. Ele não representou apenas um papel, mas desafiou e definiu uma personagem cinematográfica. A sua voz melíflua, o seu olhar penetrante e os seus maneirismos são fascinantes e arrebatadoramente sublimes.
A composição musical estridente de Bernard Herrmann, foi plagiada por inúmeros filmes para realçar a aparição de um psicopata. Os acordes enviam um gélido arrepio pela espinha acima e nenhum outro filme de terror foi alvo de uma composição tão esmerada, exceptuando “Halloween” de John Carpenter.
A própria fotografia a preto e branco é perfeita para realçar o tom de pesadelo que caracteriza a narrativa.
A cena do chuveiro estabeleceu-se como uma das melhores cenas da História do Cinema. Um raro exemplo de aprimorada execução e edição, que re-explorou a natureza do voyeurismo cinematográfico. Analisando-a frame a frame, verificamos como Hitchcock deixou muito à nossa imaginação. O ecrã é aspergido com o horror da cena e cabe-nos preencher os espaços em branco com a imaginação. Os violinos sibilam na magistral cena de Hitchcock, onde somos abandonados estremecendo e julgando ter presenciado um ser humano sendo brutalmente retalhado, quando os únicos cortes realmente experimentados ocorreram durante a edição.
Apesar da objecção da nossa memória, não visionamos a lâmina a trespassar a pele, não observamos feridas, nem sequer muito sangue. Somos traídos por inferência, pela demente fotografia de sangue a escorrer pelo ralo da banheira, numa experiência traumática que induz a nossa imaginação a conjurar imagens cujo ecrã não revela.

Apesar da sua sexualidade psicológica, “Psycho” não é sexualmente explícito. O filme alicia a audiência a espionar (tal como Hitchcock o faz declaradamente em “Rear Window”). O filme abre com um zoom direccionado a uma janela aberta, convidando o observador a espreitar e invadir o quarto onde Marion e o seu namorado têm um momento íntimo. Outras cenas que reforçam o voyeurismo sucedem quando Norman espia Marion num obsessivo close-up do seu olho e quando no final do homicídio no chuveiro o olho da vítima é focado. Na primeira situação a nossa posição é a de mirone, na segunda somos o assassino.
“Psycho” é uma exploração das regiões sombrias da mente humana, um estudo sobre a masculinidade e esquizofrenia, uma expedição às raízes do medo, um distorcido conto sobre homicídio, inveja, demência, que relega múltiplos filmes de terror actuais para a reputação de meros episódios da série de desenhos animados fofinhos “O Meu Pequeno Pónei”. Como filme de terror é um arrepiante ensaio sobre o horror e como filme em geral, é um brilhante ensaio sobre o estilo e atmosfera cinematográfica.
À medida que a lâmina da faca cintila na sua investida, tudo o que havia sido feito anteriormente está a ser golpeado e ceifado: as expectativas sobre heróis e vilões, o tempo de acção de um protagonista, os clichés banais de tudo o que era suposto ocorrer, a fantasia polida do bem triunfando sobre o mal. Obrigado Hitchcock!

sexta-feira, setembro 23, 2005

Os planos de Chan-Wook Park



O fabuloso realizador da Trilogia de Vinganças (“Sympathy for Mr. Vengeance”, “Oldboy” e “Sympathy for Lady Vengeance”), Chan-Wook Park, já anunciou o seu próximo projecto: um romance Sci-Fi intitulado “I Am a Cyborg”. O projecto arrancará no início do próximo ano e o enredo gira em torno de uma jovem mulher internada num asilo psiquiátrico, que julga ser um robot e segue o desabrochar de um romance entre ela e outro paciente.

Para além deste filme, Park tem idealizado um filme sobre vampiros e outro sobre o Partido Popular Revolucionário. Um desejo que surgiu depois do filme “The President’s Last Bang” (acerca da morte do presidente Chung-hee Park em Outubro de 1979) ter sido severamente censurado.

Por aqui ainda falta estrear o último capítulo da Trilogia de Vinganças, “Sympathy for Lady Vengeance” e “Three… Extremes” (aka “Three, Monster”). Trata-se de um filme dividido em três segmentos, pelos quais os brilhantes realizadores Chan-Wook Park, Takashi Miike e Fruit Chan são responsáveis. O segmento de Park intitula-se “Cut”, o de Miike “Box” e o de Chan “Dumplings”.

OldBoy” foi uma das mais brutais experiências vividas por mim numa sala de Cinema. Mesmo depois de cessar o seu visionamento, o filme foi crescendo em mim, entranhando-se no meu âmago ao longo dos dias. Melhor do ano até ao momento? De longe!!!! Este genial realizador coreano anda iluminado e apinhado de ideias. Mau é não termos muitas possibilidades para acompanhar o desabrochar das suas obras. É penoso viver num país do Terceiro Mundo Cinematográfico, que recusa seguir a carreira deste prodigioso e admirável autor contemporâneo. É necessário empregar um enorme esforço individual para acompanhar a Obra deste talentoso criador. Mas vale bem a pena lutarmos pela contemplação das suas Obras-Primas!

quinta-feira, setembro 22, 2005

Trailer de "Saw II". Não... não é o teaser...



Já está disponível via Yahoo o novo trailer para “Saw II” de Darren Lynn Bousman. Para acederem ao respectivo, cliquem aqui.
O filme estreia mundialmente a 28 de Outubro, bem a tempo da Noite de Halloween nos Estados Unidos. Vamos ter novamente Jigsaw a brincar com uns infelizes, mas desta vez serão oito enclausurados. Pessoalmente não achei grande piada ao clip. Mais do mesmo? Talvez… ou se calhar… menos do mesmo. Se as minhas expectativas eram poucas, agora são praticamente nulas. Espero estar enganado, mas…

quarta-feira, setembro 21, 2005

Tarantino levanta uma ponta do véu



Quentin Tarantino revelou à MTV um pouco mais sobre os seus próximos filmes. No que diz respeito a “Grindhouse”, anunciou que o filme de Robert Rodriguez se chamará “Planet Terror”, lidará com zombies e será talvez o mais violento. Quanto ao seu, o nome escolhido será “Death Proof” e descreve-o como uma espécie de Slasher Movie, substituindo a faca por um… carro. Após completar “Grindhouse”, as suas atenções serão voltadas para o filme “Inglorious Bastards”, tendo como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial.

terça-feira, setembro 20, 2005

Mas porquê?



“The Descent” estreou mundialmente a 6 de Julho. Realizado pelo realizador de culto, Neil Marshall (“Dog Soldiers”), trata-se de um filme pelo qual (des)espero há meses. Esta era a semana marcada para a sua estreia, mas trataram de adiá-la para 27 de Outubro. Ou seja, o filme já estreava cá com 2 meses de atraso, mas as distribuidoras, numa renovada prova de desprezo pelo espectador, trataram de o adiar por mais um mês.

Isto é um ultraje. Estreiam esta semana "The Dukes of Hazzard" (!!!) e relegam o filme de Marshall para mais um mês de espera. As insolentes distribuidoras deste país carecem urgentemente de renovação. O sangue que por lá circula é podre e por muito que tentem, não me irão conseguir intoxicar com os seus filmecos broncos, graças às prioridades fornecidas a estreias para acéfalos.
Só faltava chegar ao próximo dia 27 e constatar a estreia do filme numa única e recôndita sala lisboeta. É uma autêntica palhaçada! Esses indivíduos deveriam andar a gerir agendas circenses.

segunda-feira, setembro 19, 2005

“Red Eye”, de Wes Craven

Class.:



“Do i have your attention?” (Charles Keefe)
“Red Eye” é o belo exemplo de um filme cujo realizador mantém um elevado nível de tensão, num asfixiante suspense de abençoados 85 minutos, em que a audiência nem se aperceberá do quão inacreditavelmente estúpido é o argumento. Comparar este filme de Wes Craven a um Alfred Hitchcock pós-11 de Setembro é denegrir o sublime autor de “Rear Window”. Hitchcock era mestre neste género, e alguns dos seus argumentos eram autênticas Obras-Primas, enquanto o argumento deste filme de Craven é um pouco rombo.

Encalhada no aeroporto de Dallas, aguardando o regresso à sua vida atarefada em Miami, Lisa Reisert (Rachel McAdams) inicia uma amena conversa com Jackson Rippner (Cillian Murphy). De forma estranha, acabam sentados lado a lado no avião e Lisa começa a simpatizar com Jackson, sentindo-se tranquila tendo-o por perto. Contudo, a quietude desvanece quando Jackson revela as suas verdadeiras intenções.

O filme inicia como que ludibriando a assistência com um suposto romance de aeroporto, mas quando recordamos o realizador em questão, relembramos que a especialidade de Craven não envolve romantismos… a não ser o beijo afectuoso entre a lâmina de uma faca e a carne tenrinha de um pescoço.
Com a ausência do luxo de múltiplas localizações e personagens, “Red Eye” deixa pouco material para Craven operar. É um filme focado em duas personagens, com muito pouca acção ou desenvolvimento de argumento, mas bem atado por um realizador que encontra a pulsação correcta para provocar ansiedade e desassossego no espectador.
Para “Red Eye” não descambar, necessita de dois actores bem entrosados numa íntima dança com a câmara, dependendo das interpretações para criar tensão em espaços exíguos. Rachel McAdams e Cillian Murphy são sensacionais apesar da árdua tarefa, concretizando a visão de Craven. Ambos injectam nas suas personagens carisma e dinamismo, funcionando como dinamite prestes a explodir. O futuro será risonho para estes dois talentos brutos, que necessitam de ser lapidados.


Murphy revela-se assustador com uma arrepiante naturalidade, numa maldade que afeiçoa, deixando o espectador desejando que ele se redima antes que seja tarde demais. McAdams aparenta ser mais uma cara bonitinha. Aquele permanente sorrisinho estampado na sua cara, fá-la parecer uma versão feminina de Joker, ou alguém que foi exposto durante longas horas a Hélio, o “Gás do Riso”. Mas ela vai crescendo de filme para filme, e em “Red Eye” demonstra toda a sua versatilidade, num papel que contrasta com a comicidade de outro filme que estreou esta semana: “Wedding Crashers”. Talvez Wes Craven seja o responsável pela sua melhoria, pois o competente profissional sempre evidenciou um Toque de Midas com as actrizes. Ele extrai de Rachel McAdams algo que ela nunca manifestou anteriormente.

O filme recorda o thriller de 1995, “Nick of Time”, pela sua tensão claustrofóbica e algumas reminiscências do fabuloso clássico “Wait Until Dark” (1967) de Terence Young. Alguns elementos aparentam ser provenientes de melodramas da década de 50, tais como o reduzido elenco, o compasso de acção, duração comprimida, escassas situações dramáticas e uma intensidade proeminente para disfarçar o argumento obtuso.

Wes Craven explora com “Red Eye” o estado actual das viagens aéreas norte-americanas. A tensão no espectador é elevada, pois são retratadas as ansiedades e agonias dos passageiros contemporâneos. Sustentando-se nos receios relativamente a desconhecidos, na azáfama dos aeroportos, no stress, nos atrasos e nos limitados cubículos, “Red Eye” é claramente um thriller pós 11 de Setembro, avaliando os danos provocados na psique americana.
O medo terá de vir de algum lado e épocas distintas geram fontes distintas para ele ser explorado. O que é interessante observar é como por detrás do óbvio imaginário pós-11/09, se oculta uma subtil metáfora para a invasão particular, reconhecível através da vulnerabilidade feminina.

Wes Craven é um dos mais inteligentes realizadores de filmes série B. Mestre na construção de terror (“Nightmare on Elm Street”) e na respectiva deconstrução (“Scream”), Craven revela-se espontâneo na arte de atiçar os sentidos da audiência. Contudo o último terço de filme descamba numa resolução óbvia e simplória. Depois de muito prometer, o final acaba por comprometer. O argumento tem alguns buracos, mas o ritmo deixa tão pouco tempo para recuperarmos o fôlego, que apenas serão óbvios quando a maioria chegar ao carro e tiver um daqueles momentos «Eh lá!! Espera aí um bocado…». Mas “Red Eye” nunca insulta a plateia, pois Wes Craven foca a intensidade inicial numa apurada técnica, bravura e perícia clássica, satisfazendo quanto baste. Não existem dinossauros, alienígenas, monstros, zombies ou efeitos especiais em catadupa. Apenas dois seres humanos num impetuoso confronto directo. Descalcem os sapatos e apertem os cintos, pois irão estar sujeitos a muita turbulência no ar. Quando aterrarem, serão muitos os olhos ficando vermelhos de raiva.

sábado, setembro 17, 2005

Momento Zen

sexta-feira, setembro 16, 2005

Breves sobre Potter e Jeunet



Já existe um novo trailer para o novo filme da saga do rapaz com uma cicatriz na testa à fã de AC/DC: “Harry Potter and the Goblet of Fire”. O filme estreia em Portugal a 24 de Novembro e para acederem ao respectivo trailer, cliquem na imagem acima colocada.



Jean-Pierre Jeunet (“Un Long Dimanche de Fiançailles”) confirmou ao Canal Plus que está a trabalhar num estúdio americano, projectando o seu próximo filme, que «será a adaptação de um belo romance passado no mar». Nada mais esclareceu sobre o mistério, apenas confirmando em amena cavaqueira que «não será Moby Dick».

quinta-feira, setembro 15, 2005

Lançamento do DVD "Maria Full of Grace"

No próximo dia 22 de Setembro, irá ser colocado no mercado DVD nacional o filme “Maria Full of Grace”. É uma bela oportunidade para quem deixou escapar o visionamento desta relíquia, se redimir. É um dos melhores filmes do ano cinematográfico em Portugal.

Trata-se da primeira longa-metragem de Joshua Marston e da estreia da actriz Catalina Sandino Moreno, numa arrebatadora interpretação. Maria Alvarez, uma jovem de 17 anos, está determinada a escapar ao entorpecido quotidiano da sua vila. Uma oferta para um trabalho lucrativo, que implica carregar consigo droga até Nova Iorque, vai mudar o seu rumo. Longe da viagem rotineira que lhe tinha sido prometida, Maria é levada para o perigoso e implacável mundo do tráfico de droga numa missão de sobrevivência, que ela terá de cumprir para alcançar uma nova vida.

Entre os diversos prémios amealhados, registo estes: Catalina Moreno recebeu uma nomeação para o Oscar de Melhor Actriz Principal. No Festival Internacional de Berlim, Catalina arrecadou o Urso de Prata (prémio para Melhor Actriz, empatada com Charlize Theron – “Monster”) e Joshua Marston recebeu o Galardão Alfred Bauer (em memória do fundador do festival, é um prémio que distingue longas metragens que abram novos horizontes artísticos).

Vejam, absorvam, contemplem, consumam sem restrições!

quarta-feira, setembro 14, 2005

Elfman vs Raimi: A Ruptura



Momentos de confraternização como aquele acima patenteado entre o realizador Sam Raimi e o compositor Danny Elfman, dificilmente se repetirão num futuro próximo.

Danny Elfman revelou ao site About.com que não irá compor a trilha sonora de “Spider-Man 3”. E adianta dizendo «…não sentirei falta desse projecto. “Spider-Man 2” foi uma experiência miserável. O meu relacionamento com Sam Raimi ficou completamente dilacerado. Para mim ele adormeceu e quando acordou já não era o mesmo indivíduo que conhecia há uma década». Elfman revelou que a liberdade que Raimi lhe concedeu no primeiro “Spider-Man”, não teve continuação no segundo. Elfman rematou afirmando que «…Tornou-se intolerável. Jamais voltaria a passar pela mesma experiência.»

O tema criado por Elfman para o filme continuará a ser audível, pois os direitos foram adquiridos por Raimi.
Elfman é o responsável por composições mágicas tais como: “The Nightmare Before Christmas”, “Batman” e “Batman Returns”, “Beetlejuice”, “Big Fish”, “Sleepy Hollow”, “Mars Attacks!”, “Men in Black”, “Charlie and the Chocolate Factory” e ainda os temas das séries de TV “The Simpsons” e “Desperate Housewives”. Apesar da ruptura com “Spider-Man 3”, Danny Elfman continua atulhado de trabalho: depois de concluir “Corpse Bride”, seguem-se “Charlotte’s Web” e “A Day With Wilbur Robinson”.
Esta notícia entristece-me muito, pois sou um profundo admirador de Sam Raimi e Danny Elfman.

terça-feira, setembro 13, 2005

Irão Depp e Gilliam enfrentar novamente a maldição?



Em Agosto de 2000, o aclamado realizador Terry Gilliam (“Monty Python and the Holy Grail”, “Brazil”, “12 Monkeys”, “The Fisher King”, “Time Bandits”), teve finalmente a oportunidade para materializar o sonho ao qual dedicou uma década inteira: “The Man Who Killed Don Quixote”. Reunindo a respectiva equipa e elenco, preparou a produção que prometia acomodar o maior orçamento de sempre, utilizando exclusivamente financiamento europeu. Contudo, apesar da sua criatividade e entusiasmo, o filme foi alvo de uma maldição (bem relatada no documentário de 2002 “Lost in La Mancha”) que originou o seu cancelamento: uma série terrível de improváveis desastres desde conflitos de agenda, tempestades torrenciais de areia e granizo, jactos F14 lançando bombas entre os cenários e caravanas.

Recentemente Gilliam sugeriu que gostaria de encetar uma terceira tentativa para reviver o filme. Será que Depp continuará interessado na segunda colaboração oficial com Gilliam, depois de “Fear and Loathing in Las Vegas” em 1998? O actor vai respondendo que «sempre que converso com Terry, ele mostra-se muito entusiasmado em retomar o projecto. Se ele quiser e puder fazê-lo, estarei lá. Adorava retomar as filmagens, sem ter de passar pela praga do passado. Estava tudo a correr bem, todos se divertiam e julgavam que iria ser o melhor de Terry Gilliam. Se ele desejar voltar a fazê-lo, como já conheço a personagem terei menos trabalho de casa».
Quem sabe se “The Man Who Killed Don Quixote” chegará às telas de Cinema? Pelo menos, ainda este ano teremos Gilliam lançando dois filmes (“The Brothers Grimm” e “Tideland”) e Depp emprestando a voz à personagem Victor Van Dort do filme de Tim Burton “Corpse Bride”.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Top 5: Animação

Sou um profundo admirador do Cinema de Animação. Foi o género que me introduziu ao vasto mundo cinematográfico, durante a minha infância e como tal decidi lançar um repto aos visitantes do “Pasmos Filtrados”: Qual o vosso Top 5 do Cinema de Animação?
Custou muito deixar algumas relíquias de fora, tais como: “Sen to Chihiro no kamikakushi”, “The Lion King”, “Fantasia”, "Alice in Wonderland", “The Iron Giant”, “Nausicaä”, “The Incredibles”, “Kôkaku kidôtai”, “Finding Nemo”, “Akira”, "Hotaru no haka", “Tonari no Totoro”, “Toy Story 2”, “Shrek” (1 e 2). De referir ainda que este Top pode sofrer alterações ainda este ano, aquando das estreias de “Corpse Bride” de Tim Burton e de “Hauru no ugoku shiro” de Hayao Miyasaki. Após uma ponderada reflexão, aqui fica o meu Top 5 de Animação:


5

“Bambi”, de David Hand (1942)

4

“Toy Story”, de John Lasseter (1995)

3

“Mononoke-hime”, de Hayao Miyasaki (1997)

2

“Pinocchio”, de Hamilton Luske e Ben Sharpsteen (1940)

1

“The Nightmare Before Christmas”, de Tim Burton (realizado por Henry Selick em 1993)

sábado, setembro 10, 2005

Momento Zen

sexta-feira, setembro 09, 2005

The Exorcism of Emily Rose

Após a sua estreia mundial no Festival de Veneza a 1 de Setembro, estreia hoje nos Estados Unidos “The Exorcism of Emily Rose” de Scott Derrickson.

Numa invulgar resolução, a Igreja Católica reconhece oficialmente a possessão demoníaca de uma rapariga de 19 anos. Narrado em aterradores flashbacks, “The Exorcism of Emily Rose” ilustra o julgamento do padre acusado de negligência na morte de Emily Rose. A advogada Erin Bruner é contratada pela Igreja para defender o padre Moore contra quem sustenta não existir a possibilidade de Rose ter estado possuída. Aqui está o trailer.
O filme é baseado em factos verídicos: Em 1976, a Igreja Católica confirmou que Anneliese Michel, uma jovem alemã, estava possuída por um demónio. Um exorcismo foi então efectuado, mas as coisas correram mal e a jovem acabou por falecer.
Desconheço a data de estreia deste filme no nosso país. Em tempos existiam rumores de que estrearia em Novembro, mas não tenho conhecimento de confirmações. Será outro filme com a actualização fornecida a filmes como “Corpse Bride” de Tim Burton? A animação em Stop-Motion de Burton já foi aclamada há três dias em Veneza e em poucos dias fará as delícias de meio mundo. Aqui neste país do Terceiro Mundo Cinematográfico, ficamos a arrancar os cabelos da cabeça, ensopados numa mescla de raiva, inveja e desespero.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Eragon

A 20th Century Fox inaugurou o website oficial para o filme “Eragon” de Stefen Fangmeier.

O filme irá estrear a 16 de Junho de 2006 e é baseado no primeiro romance da trilogia de Christopher Paolini. A paixão fortíssima de Christopher Paolini pela fantasia e pela ficção científica inspirou-o a começar a escrever “Eragon” quando terminou o liceu, aos quinze anos de idade. O livro foi escrito entre os seus 15 e 17 anos, convertendo-se no novo fenómeno de vendas na literatura fantástica. Na história, o jovem Eragon é um simples rapaz do campo que encontra uma pedra azul polida na floresta. Inicialmente acredita que será uma descoberta bendita para comprar carne para manter a família no Inverno, no entanto a pedra encerra um legado que revelará o seu destino como Cavaleiro de Dragões. Presenteado com uma espada mágica e contando apenas com seu leal dragão e as sábias palavras de um contador de histórias, Eragon parte para um mundo de magia, glória e poder. As suas escolhas poderão salvar ou destruir o mundo em que vive.

O filme está a ser filmado em Budapeste, pelo estreante realizador Stefen Fangmeier. Fangmeier é um especialista em efeitos especiais da ILM (Industrial Light & Magic) e foi supervisor de “Terminator 2”, “Signs”, “Jurassic Park”, “Saving Private Ryan” ou “Lemony Snicket's, A Series of Unfortunate Events”, entre outros. O argumento está a cargo de Peter Buchman (responsável por “Jurassic Park III” e pelo próximo de Soderbergh intitulado “Che”) e o elenco é formado por Ed Speleers, John Malkovich, Jeremy Irons, Djimon Hounsou, Robert Carlyle e Sienna Guillory.

quarta-feira, setembro 07, 2005

“Wedding Crashers”, de David Dobkin

Class.:

“You know how they say we only use 10% of our brains? I think we only use 10% of our hearts” (John Beckwith)
Alguma mente generosa (ou não…) pensou: porque não pegar nos ingredientes que os rapazes apreciam numa comédia (lascívia, profanidades e uns belos pares de seios) e combiná-los com as iguarias apreciadas pelas raparigas (romance, ternura e elegantes patifes)?
Numa altura em que tantas comédias aparentam ser filtradas pela Inquisição, onde um grupo de Anciãos decide o que é melhor e mais engraçado para nós (público), “Wedding Crashers” é aquela rara comédia mainstream contemporânea, onde piadas apimentadas jorram despreocupadamente.

John Beckwith (Owen Wilson) e Jeremy Klein (Vince Vaughn) são “fura-casamentos” profissionais, ou seja, irrompem pelas festividades sem convite e cativam todos, desde os idosos até aos mais jovens. É tudo uma enorme charada, pois a menor afabilidade perpetuada por John e Jeremy é engendrada para ceifar as amarras dos corações indefesos de jovens moçoilas. Estes desavergonhados executam os seus desígnios com uma destreza equiparada a um brilhante músico quando toca piano num coliseu, perante uma requintada plateia.

Owen Wilson e Vince Vaughn exibem uma genial química instintiva, levando o argumento a elevados patamares hilariantes. É uma das melhores duplas dos últimos tempos no Cinema e logo nas cenas iniciais começam a propagar sonoras gargalhadas pela assistência. Estes dois nasceram para formar um duo dinâmico na comédia e “Wedding Crashers” é o veículo apropriado para explanarem o seu talento. O ritmo de comicidade empreendido pelo duo é infernal e apesar do carácter doidivanas e machista, também despertam afinidades no público pelas suas personagens. Sendo assim, apesar do filme iniciar como uma obscena e vulgar comédia sexual, o par de protagonistas vai desbravando caminho em direcção ao coração da plateia, gerando uma empatia.

Owen é o lacónico charmoso com olhar de cachorrinho e Vaughn o devasso repleto de esquemas sarcásticos. Vince Vaughn arrebata com a sua endiabrada energia. A boca deste inspirado maníaco dispara impropérios tóxicos como uma metralhadora linguística sem escrúpulos. Com este actor, o sexismo, chauvinismo e insolência tornam-se Arte. A sua épica imoralidade conduz o filme numa rota hilariante. Se a Academia tivesse a categoria de Melhor Interpretação Cómica, Vaughn não merecia um pequeno rapaz dourado… ele merecia um Oscar à escala do Colosso de Rodes.
Christopher Walken é sempre benvindo graças à sua bizarra presença, Jane Seymour atravessa uma espécie de idade da “Loba”, Isla Fischer é bastante activa no papel de ninfomaníaca e outra agradável surpresa é a liberdade cómica oferecida às senhoras, em vez de as relegar para simples objectos com o intuito de fortalecerem o gracejo dos rapazolas. Rachel McAdams é portadora de um irritante sorriso à Jennifer Garner. Mesmo nos momentos mais sérios a rapariga tem um sorriso estampado na face, funcionando como o equivalente feminino para Tom Cruise. Todavia ela derrama sensualidade no papel de rapariga divertida e inteligente. Fica por comprovar a sua versatilidade e talento já na próxima semana, em “Red Eye” de Wes Craven.



O argumento de Steve Faber e Bob Fisher cola em demasia a uma estrutura cliché do género (“Animal House”, “Porky’s”, “American Pie”, “Old School”, “Something About Mary”) e fica-se com a sensação de Dobkin temer ir mais além, ficando pela trajectória pré-determinada. O filme mostra arrojo nas piadas que profere, mas exibe pouca desenvoltura quando introduz o drama na equação, subtraindo um pouco a qualidade de “Wedding Crashers”.

Apesar da improvisação de Vaughn e Wilson camuflar um pouco a previsibilidade, “Wedding Crashers” começa a enfastiar no terceiro acto. A película não morre no final, mas numa comédia deste calibre torna-se injustificável terem procurado arrastá-la lentamente para uma óbvia conclusão. Finais previsíveis poderão ser aceites se a jornada for agradável, mas Dobkin alonga demasiado o desfecho. Simula a atitude do conviva de um casamento, que sabe entreter mas não faz a menor ideia de quando abandonar a festa. Contudo, mesmo nesta fase desfalecida ainda se vislumbram algumas ideias inteligentes e jocosas.

“Wedding Crashers” concede ainda uma aparição misteriosa, que fará as delícias aos fãs do género. Existe um novo fenómeno nas comédias: uma comunidade de cómicos consagrados decide ir surgindo nos filmes dos amigos. Eles desprezam o tamanho do papel e do salário, actuando pelo simples gozo que a sua profissão lhes abona. Esta é uma atitude de louvar.

A quantidade de boas gargalhadas anda a escassear tanto, que muitos dirão que o hype gerado em torno deste filme se poderá comparar a um Hamburger ter o mesmo sabor que Picanha para uma pessoa esfomeada. É verdade que o filme não é portador de ingredientes frescos e requintados, mas sacia devidamente o apetite.
“Wedding Crashers” detém dois cómicos apaixonados pelo trabalho e laborando a tempo inteiro, contém um bom quinhão de material profano e um coração batendo docemente no seu âmago, para satisfazer toda a gente. É uma óptima forma de passar um bom, alegre e relaxado serão. É bem verdade que não abundam boas comédias neste ano cinematográfico, mas um bom filme também adquire o estatuto de memorável, graças ao impacto que regista na época do seu lançamento. “Wedding Crashers” fura o semblante mais sisudo da plateia.

terça-feira, setembro 06, 2005

Ulliel será o próximo Hannibal?

O jovem actor francês, Garpard Ulliel (o Manech de “Un Long Dimanche de Fiançailles”), é um sério candidato a desempenhar o papel de Hannibal Lecter, na prequela das séries da lendária personagem intitulada “Young Hannibal”.

“Young Hannibal” será realizado por Peter Webber (“Girl with a Pearl Earring”) e relatará a história dos anos que formaram Hannibal Lecter. Baseado no novo romance do escritor Thomas Harris, o filme irá centrar-se em três momentos capitais na vida de Lecter, um dos quais é o visionamento da sua irmã (Mischa Lecter) morta e comida por soldados esfomeados na Lituânia, durante a 2ª Guerra Mundial. O início das filmagens está programado para 15 deste mês e decorrerão na Lituânia, Republica Checa e França. A estreia mundial está prevista para o Verão de 2006.

“Young Hannibal” é baseado no próximo livro de Thomas Harris (chamado “Behind The Mask”), que será lançado a 29 de Novembro. Este será o quarto livro de Harris relacionado com o Doutor Lecter, que apareceu inicialmente em “Red Dragon”, de seguida em “Silence of the Lambs” e depois em “Hannibal”. Todos foram best-sellers e também foram adaptados para a Sétima Arte.

Apesar de apenas ter adorado o filme de Jonathan Demme (“Silence of the Lambs”), estou muito curioso em relação a este filme. O romance de Thomas Harris (“Behind the Mask”) é um dos que mais anseio este ano. O autor imerge o leitor nas profundezas do mal e é o mestre actual do suspense escrito.
A possibilidade da inclusão de Ulliel no elenco é uma novidade entusiasmante, pois o talentoso rapaz participa num dos meus filmes preferidos do ano (“Un Long Dimanche de Fiançailles”) e até já foi premiado com um César na categoria de “Melhor Actor Revelação”.

segunda-feira, setembro 05, 2005

Momento Zen

domingo, setembro 04, 2005

“Closer”, de Mike Nichols

Class.:



“A bunch of sad strangers photographed beautifully” (Alice)

“Closer” é a adaptação da peça teatral de Patrick Marber de 1997, e toma lugar numa Londres sofisticada. É a história de dois casais, dilacerados por infidelidades. Dan (Jude Law) e Alice (Natalie Portman) conhecem-se nas ruas de Londres e apaixonam-se. Entretanto Dan, um escritor de obituários, fica obcecado por Anna (Julia Roberts), uma fotógrafa. Dan “apresenta” inadvertidamente Larry (Clive Owen) a Anna e os dois desenvolvem um relacionamento acabando por se casarem. No entanto existe uma química sexual entre Dan e Anna, e numa menor extensão entre Larry e Alice.

Os rituais, expectativas e taboos que regulam a vida emocional humana marcam presença nesta película. Por vezes de forma atroz, outras vezes de forma sarcasticamente engraçada e ainda outras tantas de forma vulgarmente apropriada. “Closer” é também um olhar provocador sobre o impacto da verdade e da mentira.
Apesar do elenco galáctico, apenas Clive Owen confere à sua personagem uma intensidade brutal. O “homem das cavernas” que vê o coração como um punho ensanguentado é retratado por Owen com uma tremenda ferocidade, com uma voltagem que arrepia e electrifica cada cena perpetuada. Owen remete para a penumbra os seus colegas de profissão e faculta o superior momento do filme.
Natalie Portman consegue escavar um pouco o âmago da sua personagem. O seu ponto (bem) alto é o momento no qual lágrimas lhe escorrem pelo rosto e reconhecemos imediatamente a perda da inocência de Alice. No entanto, na cena com Clive Owen no clube de strip, ela parece uma stripper-robot saída do filme “A.I.” de Spielberg. Parece um autómato programado para protagonizar determinados movimentos.
Jude Law é demasiado ténue e ainda consegue ser mais convincente em “Alfie”. Julia Roberts (cuja personagem exibe aptidão para escanção sexual) continua a interpretar sempre da mesma maneira. À excepção de um ou outro filme, Roberts repete sistematicamente os seus gestos e semblantes standard, nunca assimilando ou distinguindo as personagens que interpreta.



O material é forte e mordaz. Num ponto de vista físico, o filme não é violento, mas num plano emocional é absolutamente brutal. A qualidade emocional que “Closer” procura apresentar é poderosa e perturbadora. Os filmes que tentam esquadrinhar a alma humana vendem pouco, mas são extremamente fascinantes. Nichols mostra de forma cruel mas verdadeira, o comportamento da maior fracção da Humanidade. O ser humano regrediu e não passa de uma alma pútrida que se alimenta física e emocionalmente de outrem. Actua como um vírus que suga tudo o que lhe convém e quando esgota os recursos que procura na sua vítima, parte despreocupadamente para outro ser. A palavra amor tornou-se banal. A palavra “amo-te” é proferida por incautas bocas, que na realidade apenas vivem frívolas paixões.

Apesar da bela montra criada por Nichols para exibir relações humanas, o filme torna-se superficial pois não verificamos o que a loja inclui. O filme ignora a complexidade das relações contemporâneas, manifestando apenas a superfície. “Closer” é um exame estéril de paixões, num argumento que dá enormes saltos e excessivos twists românticos que se tornam absurdos, parando para namoriscar um pouco aqui, ou salpicar um bocado com culpa acolá. Os elitistas que produziram esta pretensiosa pornografia acreditam que histórias como “Closer” nos ensinam acerca da nossa natureza. O que apreendemos é que os “artistas” adelgaçam a visão do nosso comportamento, pois Nichols e Marber traçam um simples e doloroso plano de batalha para uma guerra de sexos.

Os autores enfatizam como o homem e a mulher se usam mutuamente como simples objectos sexuais. A utilização da palavra “F” para gerar uma reacção, funciona claramente como o derradeiro refúgio para um escritor cuja imaginação tremelica. As personagens nunca emergem acima da sua libido. Admito que tais personagens sejam facilmente aceites na atmosfera teatral, onde o movimento arbitrário de tais figuras vazias possa ter um contributo aceitável, mas num patamar cinematográfico tais indivíduos são ocos e falsos funcionando como impostura. Será que Nichols e Marber desenham personagens demasiado cínicas? Talvez. Será que elas aparentam ocasionalmente serem meras marionetas manipuladas por um escritor inteligente? Sim, sem dúvida.
Em “Scener ur ett äktenskap” de Ingmar Bergman e “Husbands and Wives” de Woody Allen obtemos um retrato mais honesto e versado das relações urbanas.

“Closer” é portador de uma representação soberba (Clive Owen), a fotografia capta maravilhosamente as emoções expressas nos rostos das personagens e o facto do filme fugir do convencionalismo cor-de-rosa dos filmes românticos de Hollywood é de salutar.
Mas quando analisado cena a cena, os resultados de “Closer” não suportam o seu enorme potencial. Passado algum tempo de projecção, cada cena torna-se a mesma cena. A sofisticada realização de Nichols, o argumento picante de Marber e a presença de um elenco sonante produzem apenas uma vaga imitação do comportamento humano. É um filme que detesta as suas próprias personagens e não lhes encontra estima, dignidade, generosidade de espírito ou esperança de redenção num mundo de relações conjugais fatais.

Admito que o filme irá tocar as pessoas consoante o seu estado emocional e afectivo, mas não é gerada uma empatia por qualquer uma das quatro figuras e o filme acaba frio como o gelo. A interacção é amarga e cínica. Se trocássemos a identidade das personagens, quase ninguém dava pela diferença. Dan até podia ser o fotógrafo, Anna a stripper e até Alice poderia ser a dermatologista (aliás a pele de Portman até é perfeitinha e tal…). Existe imensa pornografia na linguagem e nem um flash de magia romântica. Até o momento em que Jude Law conhece Natalie Portman parece o reclame publicitário de um perfume. O sexo é usado como uma ferramenta nas lutas de poder e apesar da palavra “amor” ser mencionada algumas vezes, a sua colocação neste filme é forçada, pois as efémeras emoções não adquirem a harmonia ou transcendência do “Amor”.
A dada altura ouvi ou li: «quem não gostar deste filme, então não é humano». Se ser humano representa identificar-me com estas personagens cruéis e frias, que utilizam o próximo como mero objecto sexual para saciar a sua efervescente libido, então eu não sou e recuso-me a ser humano, ficando bem longe desta definição abjecta.

sexta-feira, setembro 02, 2005

“Land of the Dead”, de George A. Romero

Class.:



“Zombies, man… they creep me out” (Kaufman)
Para os apreciadores de bom terror, George A. Romero encontra-se num altar e é venerado como um deus. O notável realizador iniciou a saga “Dead” em 1968 com “Night of the Living Dead”. Apesar do baixo orçamento a película foi uma perfeita fusão de horror grotesco, humor negro e comentário social, jamais igualada.
Depois sucederam “Dawn of the Dead” (1978) e “Day of the Dead” (1985). Ou seja… Seguindo a lógica, o quarto filme deveria chamar-se… “Evening of The Dead”, ou em português “Lusco-Fusco dos Mortos”, não? Enfim…
Agora a sério, após vinte (longos) anos, Romero recebeu um orçamento respeitável para materializar a sua visão e acrescentar um novo capítulo à saga “Dead”, intitulado “Land of the Dead”.

Nesta quarta investida de Romero na saga, os zombies tomaram conta da Terra. À medida que a praga de zombies prolifera pelo planeta, uma pequena comunidade de sobreviventes tomou residência numa cidade fortificada: Fiddler’s Green. O complexo liderado pelo impiedoso industrial Kaufman (Dennis Hopper), destina-se a manter a classe rica feliz e segura, os pobres distraídos e os zombies bom longe. Para o mercenário Riley (Simon Baker) e seu grupo (Robert Joy, John Leguizamo e Asia Argento, entre outros), a ameaça começa a ganhar contornos alarmantes e a segurança de Fiddler’s Green fica comprometida, pois os zombies (liderados por Eugene Clark) aprenderam a usar a lógica e utensílios para se banquetearem em carne humana.

“Land of the Dead” retorna o género zombie às suas divertidas raízes através do seu criador, após algumas ramificações sérias (“28 Days Later”), brilhantes (“Shaun of the Dead”), óptimas (o remake de “Dawn of the Dead” em 2004) e outras patéticas (os filmes “Resident Evil”). O filme marca igualmente o regresso de elementos do género que foram ignorados. Um claro exemplo é não existirem zombies com aptidão para competirem com Flash Gordon. A lentidão devolve o efeito de terror escalado.



Tal como as películas anteriores da saga tinham algo a proferir sobre a Humanidade, “Land of the Dead” oferece uma nova perspectiva política de Romero. Para além das óbvias (e saturantes) referências ao 11 de Setembro, o cineasta escava ainda mais fundo e apesar de preferir um filme com significado, Romero não olvida o seu sentido de entretenimento. É um mestre em histórias com múltiplas camadas e desafia a reflexão do espectador.

Se “Dawn of the Dead” satirizava o consumismo abrupto, “Land of the Dead” lança um olhar crítico aos capitalistas que tornam o consumismo possível. Romero reprova igualmente a atitude das nações milionárias, para com os países do Terceiro Mundo. O que realmente assusta no filme é verificar como as altas classes da sociedade privilegiam o seu estatuto em detrimento das vidas ameaçadas dos desditosos, mesmo perante crises desmedidas. Os residentes de Fiddler's Green vivem relaxados em luxúria, aprazivelmente sorvendo cocktails, comprando em lojas de estilistas, ignorando completamente o conflito, a destruição e miséria que é semeada à sua volta. Como poderão viver pacatos e tranquilos? Como terão paz de espírito para dormir? Será que a calamidade pesa tanto na sua consciência, como um pedaço de algodão nas costas de um elefante? Os paralelismos com o mundo actual são irrefutáveis.

Apesar de Romero imbuir os seus filmes com uma crítica à sociedade de costumes americana (e porque não mundial?), o subtexto sócio-político não impede um visceral festim gore.
Apesar dos efeitos gore de Tom Savini para “Dawn of the Dawn” e “Day of the Dead” serem idolatrados na comunidade de fãs gore, o trabalho de Greg Nicotero e Howard Berger (“Evil Dead 2”, “Pulp Fiction” e até “Kill Bill: Vol. 1 e 2”) é fantástico, meticuloso e melhor forjado. No entanto os fiéis a Savini irão saciar a nostalgia, vendo-o num papel de zombie. O realizador e o argumentista do brilhante “Shaun of the Dead” (Edgar Wright e Simon Pegg, respectivamente), também participam neste filme como zombies. O filme de 2004 foi uma ilustre homenagem aos filmes de Romero.



A sátira social é excelente (o pormenor do fogo de artifício para distrair é magnífico) e a acção gore deliciosa, mas a história do filme é simples, básica e previsível, revelando uma das deficiências do filme. A cidade fortificada evoca “Escape from New York” de John Carpenter, revelando algo que Romero nunca exibiu na saga: alguma falta de originalidade. Será que o facto de uma grande produtora tomar conta deste episódio da saga, limitou um pouco a acção de Romero? O que é certo é que os zombies não metem assim tanto medo, nem existem assim tantos momentos para cravarmos as unhas nos braços da cadeira. Se nem as personagens do filme receiam os monstrinhos esfomeados, porque deveríamos nós teme-los? No entanto o recado de Romero é evidente: ao tornar os mortos-vivos “simpáticos” ele salienta que estes filmes pertencem aos próprios zombies.

George A. Romero criou uma interessante versão zombie para “Metropolis” de Fritz Lang. A metáfora social é acutilante, a lenta educação dos zombies é um desenvolvimento interessante, a engenhosa manipulação da câmara origina algumas cenas assombrosas, os efeitos gore e a caracterização são soberbos (com especial menção para o fenomenal palhaço zombie), mas a história é presumível. “Land of the Dead” poderá não ser o mais assustador filme de zombies de sempre, mas é certamente o mais perspicaz. Apesar de Romero ter esventrado a sociedade de costumes, para nos regalar com um nutritivo rodízio, não fiquei totalmente saciado e espero que ele esteja apenas a aquecer para um suculento banquete final.

quinta-feira, setembro 01, 2005

62º Festival de Veneza



A 62ª edição do Festival de Cinema de Veneza arrancou ontem.
O mais antigo Festival de Cinema irá ter projecções durante 11 dias. O filme “Seven Swords” de Tsui Hark abriu o Festival. Trata-se da estreia mundial de um épico de artes marciais que decorre na Dinastia Ching. Também ontem foi projectado (para grande orgulho nosso) o filme “O Espelho Mágico” de Manoel de Oliveira.
Em cartaz também estarão (entre outros) os filmes dos portugueses João Botelho (“O Fatalista”) e Alberto Seixas Santos (a curta “A Rapariga da Mão Morta”), "Corpse Bride" de Tim Burton, “The Constant Gardener” do brasileiro Fernando Meirelles, “Brokeback Mountain” de Ang Lee, “Goodnight and Good Luck” de George Clooney, “Cinderella Man” de Ron Howard e “The Brothers Grimm” de Terry Gilliam. De referir ainda que Hayao Miyasaki irá receber o Leão de Ouro de carreira e também apresentará “Hauru no Ugoku Shiro”.

Irão ser exibidos 56 filmes este ano, com 19 competindo pelo “Leão de Ouro”. No ano transacto venceu “Vera Drake” de Mike Leigh.
Site Meter